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diz uma aluna…


A Oficina de Leitura é um projecto que tem vindo a fortalecer as crianças, desde os pequeninos aos mais velhos. Sem dúvida nenhuma, este Projecto tem uma boa função: normalmente, em todas as idades, sejam crianças, adolescentes ou adultos, não mostram interesse pela leitura. O nosso Projecto tem o desafio de despertar em todos o gosto pela leitura e nestes últimos tempos temos vindo a observar bons resultados. Vamos ler às escolas e os meninos pedem sempre mais, e vê-se na carinha de todos que gostam das histórias que lhes são lidas, e ver isso em todos ainda nos dá mais prazer de lhes ler, de passar mais tempo com eles.
Falo por mim, e penso que todos os que estão neste grupo o dizem também: nós, que chegámos a esta escola pequeninos, traquinas, sem interesse e sem preocupação pelas disciplinas, principalmente a disciplina de Língua Portuguesa que é o que se aplica aqui, a professora Eduarda Abreu conseguiu despertar em nós aquele gosto pela leitura que estava adormecido em nós, através de pequenos contos, exercícios de relaxamento… parecia que quando ouvia aquelas histórias suaves, maravilhosas a entrarem pelos meus ouvidos, parecia que entrava num mundo fora da realidade, e além do mais esquecia todos os problemas que uma criança tem, sejam em casa, na escola, tudo, era como se entrasse nas histórias ou vivesse um Conto de Fadas. Não sei se aconteceu com alguém, mas comigo aconteceu, num dos exercícios de relaxamento que a professora Eduarda fez eu consegui ver a imagem de uma pessoa muito próxima, não cheguei a conhecê-la, só a conhecia por fotografias, parecia que comunicava com ele e fiquei um bocado assustada, mas no entanto percebi que foi bom aquele momento, principalmente depois de desabafar com a professora Eduarda e ela me dar um ombro amigo.
Entrar nesta Oficina, para mim, foi um desafio muito bom de superar, fiquei mais culta, e de certa forma também contribuiu para a minha maturidade.
Não me arrependo de passar as sextas-feiras de tarde rodeada de meninos pequeninos, que me surpreendem de dia para dia, gostarem tanto da leitura, e eu que me arrependo de não ter podido passar assim pequenos momentos, que me lessem contos, para viver uma vida ainda mais feliz, mas aproveito agora, para que não me escape nenhum menino de se vir a arrepender do que eu me arrependi.
Queria que este projecto continuasse, para continuarmos a fazer a nossa função e dar a oportunidade a adolescentes da nossa idade entrarem também neste Projecto.
Peço mesmo, do fundo do meu coração que este Projecto continue!

As coisas de que mais gostamos

Era um daqueles dias de Verão em que sopra uma brisa suave. As nuvens corriam umas atrás das outras pelo céu, passeando pelo mundo.

Milly e Molly estavam deitadas na relva, com as cabeças juntas. Fazia calor e elas estavam pensativas.

E, se a Pipa e a Beta não as tivessem encontrado, provavelmente teriam adormecido.

O João e o Toni também apareceram.

— Esta é uma das minhas coisas preferidas — disse Molly.

— O quê? — perguntou o João.

— Deitar-me na relva a ver as nuvens — respondeu Molly.

— Qual é a tua coisa preferida?

— Hambúrgueres — disse o João.

— Não, João, não estou a falar disso. Falo de sentimentos — disse Molly.

— Como quando o meu pai me vai ver jogar râguebi? — perguntou o João.

— Sim — disse Molly baixinho.

— Como o cheiro a pó de arroz da Avó quando me lê histórias — disse a Beta.

— Gosto muito quando o meu pai me deixa pegar na cana de pesca dele — disse o Toni.

— E eu gosto das segundas-feiras, quando os meus lençóis cheiram a sol — disse Milly.

— Eu gosto de me sentar no sofá do meu pai, quando ele se levanta e as almofadas ainda estão quentes — disse Molly.

— E eu gosto de encontrar a minha mãe ao pé dos morangueiros, quando chego da escola — disse João. — Ela dá-me sempre os melhores.

— Eu gosto que o meu pai me ponha um pano frio na testa, quando eu estou na cama, doente — disse a Beta.

— Quando há trovoada — disse o Toni — gosto de me ir meter na cama quentinha dos meus pais.

— Eu gosto de beber chocolate quente com o meu pai, ao pé da lareira, enquanto ele me conta histórias — disse a Milly.

— Eu gosto do cheiro do bolo de chocolate a sair do forno, quando chego da escola, à sexta-feira — disse Molly.

O Toni pôs-se de pé.

— É sexta-feira, Molly! De que é que estamos à espera?

— Vou chegar primeiro! — gritou o João.

— Vocês são um grupo muito especial — disse a mãe da Molly.

— Gosto quando dizes isso — disse Milly, com a boca cheia de bolo de chocolate.

E todos disseram que sim com a cabeça.

Gill Pittar
Milly Molly – Tomo I
Rio de Mouro, Everest Editora, 2006