Então e o que quer dizer?

Tenho um aluno que não sabe o que significa a palavra perra.

Não sabia. Perguntou-me, expliquei-lhe e agora já sabe. Até aqui, nada fora do normal Um aluno desconhecer o significado de uma palavra e o professor explicar-lhe é algo que acontece todos os dias nas aulas de Português. E não só, imagino.

O problema não é este. O problema é que a palavra surgiu numa frase – e ele achou que a frase estava errada. Seria muito grave, é verdade, mas poderia ter acontecido. A frase aludia a “dobradiças perras” e ele disse-me: “Aqui devia dizer pêras.” Expliquei-lhe o sentido da frase e ele ficou a perceber, mas esta situação, em muito semelhante a muitas outras que vivo todos os dias, permanece no meu espírito e faz-me pensar muito.

Não conhecer o significado de uma palavra é a coisa mais normal do mundo, sobretudo tratando-se de um aluno de quinto ano. É certo que eu acharia que a palavra “perra”, por ser muito utilizada, seria conhecida dos alunos. Mas o que, na minha opinião é preocupante é o facto de o aluno achar que, naquela frase, poderia surgir o nome do fruto, pêra. Uma dobradiça pêra? Isto é que é dramático nesta história. Uma criança de dez anos que não consegue antecipar que aquela palavra de todos os dias não cabe naquela frase e que prefere achar que o texto, publicado num manual escolar, contém um erro.

Este é (mais) um exemplo de como a incapacidade de utilizar o contexto para antecipar as palavras que vão surgir no texto compromete a leitura.

O elefante acorrentado

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— Não consigo — disse-lhe. — Não consigo!
— Tens a certeza? — perguntou-me ele.
— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela e dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.
O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:
— Deixa-me que te conte…
E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes…

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Inquérito sobre hábitos de leitura

Elaborei este inquérito, que se destina a recolher informações sobre os hábitos de leitura dos adolescentes e jovens portugueses, entre os 10 e os 18 anos.

Solicito a todas as pessoas cuja idade se encontre dentro do intervalo referido que respondam. E peço a todas as outras que o divulguem – junto dos seus filhos, amigos, familiares, conhecidos, alunos…

A ideia é chegar ao maior número de pessoas possível.

As respostas são anónimas, pelo que todos devem sentir-se à vontade, no sentido de darem respostas o mais honestas possível. Ninguém vai ser avaliado!

O inquérito está aqui.

Gabriel García Márquez (1927-2014)

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Este é um dia triste para mim. Para todos os amantes da literatura. Da Literatura, assim, com letra grande. Já se sabia, esta era uma morte anunciada, mas é triste saber que partiu o maior contador de histórias de todos os tempos. Gabriel García Márquez morreu e este é um dia triste por isso. É o meu escritor favorito – e não digo isto hoje, por ter morrido. Digo-o desde que o descobri, aos dezasseis ou dezassete anos. Hoje o mundo ficou mais pobre.

O jornal El Espectador tem um extenso dossier sobre García Márquez, que foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982.

Em reacção à sua morte, disse hoje o presidente da Colombia: “Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos!”

Escreveu romances, novelas, crónicas, contos, e a autobiografia mais deliciosa que jamais li: “Viver para Contá-la”. Estão lá todos os seus livros.

Permitam-me apenas alguns títulos, os primeiros que me vêm à memória e que migrarão ainda hoje para a minha mesinha de cabeceira, para reler:

O Amor nos Tempos de Cólera

Cem Anos de Solidão

Doze Contos Peregrinos

Do Amor e Outros Demónios

Memória das Minhas Putas Tristes

A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua Avó Desalmada

Os Funerais da Mamã Grande

Olhos de Cão Azul

Crónica de uma Morte Anunciada

A Revoada

A Hora Má

O General no seu Labirinto

Ninguém Escreve ao Coronel

O Outono do Patriarca

Notícia de um Sequestro

Relato de um Náufrago

 

São apenas alguns. Faltam aqui tantos.

Conversando sobre a leitura

05-04-14

A convite da Avicella, estive ontem na Casa das Colectividades, em Vizela, a conversar sobre a leitura com os Rotary Kids.

A minha intervenção estava incluída numa série de actividades, todas elas muito interessantes, no âmbito de um “Festival de Contos”.

Agradeço mais esta oportunuidade que me concederam de divulgar um bocadinho daquilo que penso sobre a leitura, que é tão importante.